|
|
A jornalista Ana Maria Bahiana é a convidada do projeto “Sempre Um Papo”, em Londrina, no lançamento do divertido livro “Almanaque dos Anos 70” (Ediouro). Dia 26 de outubro, quinta-feira, às 19h30, no Anfiteatro Maior da Universidade Estadual de Londrina (Rod. Celso Garcia Cid, s/nr – Info: 43 3371-4316). A entrada é franca numa realização da Caixa, com apoio das Livrarias Curitiba.
Com o auxílio precioso da distância no tempo e no espaço, os anos 70 despontam com uma importância da qual não se suspeitava: as raízes das delícias do novo século estão inteirinhas lá. E muito bem documentadas e fartamente ilustradas neste Almanaque Anos 70, de Ana Maria Bahiana.
A autora faz o leitor, de qualquer idade, mergulhar de cabeça naquela época. Uma tremenda viagem, como se dizia então. Ao manter uma perspectiva objetiva do período, e não um olhar saudosista, Ana Maria dá prioridade aos textos e falas da época, ao rico material das fontes, e usa obviamente, seus critérios pessoais, de seleção e análise. Mostra o ponto de vista brasileiro. O que vale é o tempo daqui, assim como o nosso olhar e modo de consumir.
Ao salpicar o livro de citações, trechos de matérias, anúncios, entrevistas, classificados, cartas, o que a autora deseja é que os 70 falem de novo, com sua própria voz. Assim, é permitida a leitura individual dos capítulos ou mesmo de seções estanques dos capítulos. Pode-se abrir este Almanaque e lê-lo em qualquer trecho, em qualquer ordem. Seja para curtir o fac-símile da capa da primeira edição da revista Rolling Stone, até a moda indiana nas roupas e nas casas; ou comprovar a irreverência de O Pasquim, ou os livros, filmes, as músicas e as manias que “fizeram as cabeças” nos 70. Tudo isso e muito mais, entre os cheiros de patchuli e Pinho Silvestre, as roupas rasgadas, tacheados ou a bordo de automóveis compactos e econômicos.
Para efeito de organização, o Almanaque se divide como a década, nitidamente em duas partes, pois se trata de uma época fraturada ao meio, aqui e no mundo – a primeira parte intitula-se “1970-1974 – a era dos caretas e desbundados”; a segunda, “1975-1979 – discoteca, punks e roqueiros”. No exterior a crise do petróleo, o fim da guerra do Vietnã, a queda de Nixon e a revolução islâmica no Irã tabulam o começo, meio e fim da década. Aqui, os marcos, praticamente nas mesmas datas, são o AI-5, as posses de Geisel e de Figueiredo e a Anistia. Um divisor comum fica por conta da disseminação da cocaína como droga prioritária, substituindo a maconha e o LSD exatamente no meio da década. Aí tudo muda junto: a música, os costumes, o visual, a feição das cidades. “Ao contrário dos anos 80, que são bastante uniformes e homogêneos, os 70 são idiossincráticos e tribais”, compara a autora.
Ana Maria consultou centenas de livros e documentos para a elaboração do Almanaque Anos 70 – além dos seus próprios arquivos, lançou mão de uma coleção completa do Jornal de Música, que pertencia ao seu pai, Alberto Bahiana, falecido quando ela ainda redigia o livro.
Pesquisadores e historiadores a auxiliaram a garimpar informações nos acervos do Arquivo da Cidade, ABI e na Biblioteca Nacional, afora o apoio de vários amigos, inclusive, e principalmente, de Nélio Rodrigues, Péricles de Barros Filho e Aguinaldo Silva.
Ana Maria Bahiana é jornalista e escritora com uma carreira que cobre três décadas de reportagem e comentário de cultura no Brasil e no exterior, em imprensa, rádio, televisão e internet. Ana Maria escreveu para, entre outros, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Opinião e Rolling Stone, no Brasil; New York Times, Syndicate, Escape e Beat, nos Estados Unidos; Le Film Français na França; Follow Me, HQ e Cinema Papers na Austrália. De 1992 a 1995 foi a responsável pelo escritório de Los Angeles da revista inglesa Screen International.
Entre seus livros anteriores estão Nada será como antes (Civilização Brasileira, 1979 e depois pela Senac Rio, 2006); Jimi Hendrix: Domador de Raios (Brasiliense, 1980 e depois Pazulin, 2006); América de A a Z (Objetiva, 1993); A Luz da Lente (Editora Globo, 1998); a antologia de ensaios Anos 70 (Funarte, 1979 e depois Aeroplano/Senac Rio 2005) e a tradução de Dispatches, de Michael Herr (Objetiva, 2005). Ela é autora do argumento e co-roteirista do filme 1972, de José Emilio Rondeau a ser lançado em julho de 2006 pela Buena Vista.
|