O programa Sempre Um Papo, exibido semanalmente há dez anos, pela TV Câmara, apresenta em janeiro de 2012, um seminário com o tema “Felicidade?”, com a filósofa e escritora Marcia Tiburi. São quatro programas que trazem à tona este desejo universal, mas que tem uma história bem mais complexa relacionada à filosofia, chamada de ética. O primeiro programa aborda a “Felicidade e Infelicidade: O Desejo e a Ética” e vai ao ar no dia 07 de janeiro; no dia 14, “A Indústria Cultural da Felicidade”; no dia 21, “A Felicidade e a Dor dos Outros”; e no dia 28, encerramento discutindo “A Felicidade na Era digital”. Os programas inéditos vão ao ar aos sábados, às 19h, com reprise no domingo, às 16h.
Com o patrocínio da New Holland, o seminário ocorreu em 2011, com grande sucesso, sendo presenciado por cerca de 1.500 pessoas, na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte. O projeto é inédito e foi idealizado exclusivamente para o Sempre Um Papo, por Marcia Tiburi. Nos programas, diante da pergunta, “Felicidade?”, a filósofa instiga: “Mas será mesmo assim? Não será a infelicidade a verdadeira face desta grande ideia que nos serve de crença?”. De acordo com a Tiburi, a felicidade é o grande motivo pelo qual o ser humano escolhe ter um futuro. Justamente porque ela se faz como medida de todas as coisas humanas. Para Tiburi “em tempos sombrios, é bom lembrar do sentido da felicidade como ideia construtora do mundo antes que ela seja devorada pelo sistema que tudo transforma em mercadoria. Se a felicidade não se vende é porque ainda podemos sonhar com ela. Debatê-la é realizar o maior desejo filosófico, o de tentar compreendê-la à medida que se fez tema urgente de nosso tempo”, defende.
Sinopse dos programas:
07/01 – “FELICIDADE E INFELICIDADE: O DESEJO E A ÉTICA”
A felicidade é um tema filosófico. Muito antes de ter sido reduzida em nossos tempos a uma mercadoria publicitária, a felicidade era um ideal ético. A desvalorização da felicidade no contexto capitalista relaciona-se ao mundo do espetáculo, à banalização do desejo e também do sentido dos afetos em nossas vidas. Antes de qualquer análise temos que nos perguntar se ainda podemos falar de felicidade em nossos dias, e de qual felicidade? Não teríamos, hoje, quando vemos a colonização do desejo aniquilar o sentido da convivência e da auto-descoberta, que devolver a felicidade ao campo da ética? Ou a ética à felicidade?
14/01 – “A INDÚSTRIA CULTURAL DA FELICIDADE”
Do século XX até hoje a inteligência e a sensibilidade coletivas vivem sob o jugo da Indústria Cultural. Podemos dizer que o todo da cultura se tornou indústria. Nossa vida sensível toma consciência de si por meio das manifestações artísticas, da educação, da leitura. Das artes clássicas à arte culinária podemos dizer que há um trabalho humano de intensificação e valorização das experiências vividas. A Indústria Cultural é hoje a produção de experiência empobrecida. Desde a televisão (o nervo central da produção de imagem), até a alimentação (há uma Indústria Cultural que coordena o processo alimentar como processo social), passando pela saúde física (a Indústria da Vida Saudável) e pela saúde mental (Indústria da Vida Feliz), todos os processos humanos passam por um método de uniformização e banalização ao qual podemos chamar de Indústria. Cabe avaliar se a Indústria Cultural da Felicidade afetou as nossas vidas.
21/01 – “A FELICIDADE E A DOR DOS OUTROS”
No contexto da sociedade espetacular, a sociedade que supervaloriza a imagem a ponto de idolatrar narcisicamente o próprio corpo e o corpo belo dos outros, há também o desejo perverso de conhecer o sofrimento alheio. Sabemos que o sofrimento sempre foi representado na poesia, na literatura, nas artes da pintura e no cinema. Mas o que acontece com o surgimento da fotografia? Com o cinema? E com o incremento da televisão? Qual a diferença entre a dor representada nas artes e a dor real mostrada nos veículos de comunicação? Que sentimentos estão em jogo? A compaixão, ou será o ódio, o afeto que nos rege nos tempos apocalípticos em que vivemos?
28/01 – “A FELICIDADE NA ERA DIGITAL”
A Internet é a nova promessa de felicidade. Seu valor está como o valor de uma nova roupa, uma casa nova, um novo carro, depois que os velhos bens não servem mais. É como se o corpo, a vida corporal, as relações no campo do atual (o espaço que compartilhamos com nossos corpos) se transformasse em mercadoria de segunda mão. Todos querem a vida zero quilometro. Com sua promessa de recriação e reinvenção é isso o que a Internet sugere. Relacionamentos tornam-se tão fáceis quanto descartáveis. Sejam amizades, amores, casos, o que há de mais simples é trocar de avatar e seguir sendo outra coisa que não se é. O que a internet realmente promete e o que ela de fato realiza? Quem é o ser humano dentro deste novo mundo admirável?
Marcia Tiburi
Marcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia pela UFRGS. É professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie, editora da revista TRAMA Interdisciplinar e colunista da revista Cult. Autora de diversos livros de filosofia e de literatura, entre eles Filosofia em comum (Record, 2008), Filosofia brincante (Record, 2010) e Diálogo/Desenho (SENAC, 2010), dos romances Magnólia, A mulher de costas e O manto (Record, 2009).

Afonso Borges encerra o ano 25 do Sempre Um Papo, somando 103 eventos realizados, com a presença de 75 escritores e público de cerca de 20 mil pessoas. Ao longo de 2011, os encontros ocorreram em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Velho e Corumbá e no interior de Minas, nos municípios de Araxá, Itabira, Itabirito, Nova Lima, Sete Lagoas, Ipatinga, Barão de Cocais, São Gonçalo do Rio Abaixo, Congonhas, Timóteo e Coronel Fabriciano. Nomes de destaque no cenário literário nacional lançaram seus livros e participaram dos debates, como os cientistas Miguel Nicolelis e Marcelo Gleiser, as historiadoras Laura de Mello e Souza, Mônica Schpun e Mary Del Priore, o crítico literário José Castello, os antropólogos Roberto Da Matta e Miriam Goldemberg, os filósofos Gabriel Chalita e Marcia Tiburi, Rubem Alves, Lya Luft, Luis Fernando Verissimo, Affonso Romano de Sant’ Anna, Fernando Morais, Leonardo Boff, Marina Colasanti, Maurício Kubrusly, Denise Fraga, Carlos Alberto Sardemberg, Ruy Castro, Frei Betto, Martha Medeiro e muitos outros.
Para 2012, o projeto já está em fase final de captação de patrocínio e abre a programação com Mauro Ventura em São Paulo e Belo Horizonte e, em Araxá, com Gabriel Chalita. A agenda atualizada do Sempre Um Papo está disponível na nossa página principal.
O Sempre Um Papo é um projeto de incentivo ao hábito da leitura, criado há 25 anos pelo produtor cultural mineiro, Afonso Borges. Desde 1986, foram 4.500 eventos realizados e um público de 1,5 milhão de pessoas, tendo atuado, ao longo dos anos, em 30 cidades brasileiras.
No próximo sábado, vai ao ar pela TV Câmara, o programa inédito do Sempre Um Papo que contou com a presença do filósofo e escritor Gabriel Chalita. No encontro uma conversa sobre seu livro mais recente, “O Pequeno Filósofo”. Autor frequentemente presente nas listas de best-sellers brasileiros, Gabriel Chalita é conhecido por sua competência literária: passeia com desenvoltura por uma diversidade de gêneros, do ensaio à poesia, do texto epistolar à ficção, do teatro a obras jurídicas. O programa vai ao ar em rede nacional pela TV Câmara no dia 19 de novembro, sábado, às 19h e tem reprise no dia 20, domingo, às 16h.
Sempre Um Papo – 25 anos – Literatura em Todos os Sentidos O Sempre Um Papo é um projeto de incentivo ao hábito da leitura, criado há 25 anos pelo produtor cultural mineiro, Afonso Borges. O projeto acumula números expressivos, casos divertidos, segredos revelados e encontros inéditos com personalidades de reconhecimento mundial, dentre eles, José Saramago e Paulo Coelho. Desde 1986, foram 4.500 eventos realizados e um público de 1, 5 milhão de pessoas, tendo atuado, ao longo dos anos, em 30 cidades brasileiras.
Afonso Borges será responsável pela programação do Café Literário, principal espaço de debates do evento confirmado para maio do próximo ano
Com o objetivo de inovar em sua programação para 2012, a Bienal do Livro Minas escolheu o escritor e produtor cultural Afonso Borges para o posto de curador da terceira edição do evento, que acontece de 18 a 27 de maio, no Expominas. Figura de destaque no cenário literário, Borges é responsável há 25 anos pelo projeto Sempre um Papo, que já realizou cerca de 4.500 encontros com diversas personalidades de reconhecimento mundial em 30 cidades brasileiras.
O curador terá em mãos o desafio de escalar os convidados do Café Literário, principal centro de debates do evento que reúne escritores, críticos, jornalistas leitores. A respeito disso, adianta que o objetivo do encontro será eleger temas e convidados que se aproximem dos assuntos do dia-a-dia dos leitores. “O Café trará os mais interessantes escritores brasileiros”, anuncia Borges, que considera como “segredo para uma boa escolha dos convidados” a mistura de opiniões e personalidades. “Hoje temos novos talentos que vieram, na maioria, do mundo virtual e que estão revolucionando positivamente a literatura brasileira”, festeja.
Na última edição, o Café Literário reuniu escritores como Rubem Alves, Zuenir Ventura, Ruy Castro, Menalton Braff, Luiz Ruffato, além do saudoso Moacyr Scliar, falecido em 2011, entre outros importantes nomes. Cerca de 250 mil pessoas visitaram o Expominas em 10 dias de evento.
Em 2012, os organizadores Fagga Eventos l GL events e a Câmara Mineira do Livro vão diversificar as atividades culturais no evento através de uma série de novidades na programação. “A Bienal é fundamental para a divulgação do livro e do autor. É um momento em que a Literatura entra na pauta do dia e insere a leitura no contexto da vida do cidadão”, afirma o novo curador.
INOVAÇÕES NA PROGRAMAÇÃO
Para oferecer novas experiências ao público do evento, a Bienal lança em 2012 dois espaços em sua programação: Território Jovem e Livro Encenado. O primeiro promoverá uma série de debates sobre temas da atualidade e de interesse dos adolescentes. E o segundo trará atores e personalidades para leitura dramatizada de textos clássicos da literatura nacional. “Nossa intenção é unir o que já temos de consagrado, o que é sucesso, com ainda mais novidades”, conta a Gerente Geral do Evento, Tatiana Zaccaro.
Já consagrados entre o público, outros momentos do evento continuam na programação, como o Circo das Letras, as Atividades Infantis e a Goleada Literária, que traz debates e conversas sobre futebol e literatura com quem mais entende do assunto.
O CURADOR
Afonso Borges é criador do Projeto Sempre Um Papo, que completou 25 anos de existência em 2011. Além disso, é também autor de quatro livros, um deles publicado na Argentina e na Suíça, já escreveu em diversos jornais e revistas e colaborou em trabalhos de outros escritores como Fernando Morais, em Chatô – O Rei do Brasil, e Humberto Werneck, no livro O Desatino da Rapaziada.
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No próximo sábado, vai ao ar pela TV Câmara, o programa especial dos 25 anos do Sempre Um Papo. Além de depoimentos dos escritores que participaram do evento, Fernando Morais, Leonardo Boff, Zuenir Ventura, Luis Fernando Veríssimo, Ruy Castro, Heloísa Seixas, Frei Betto e Zeca Camargo e do idealizador do projeto, Afonso Borges, trechos de encontros com escritores memoráveis, como José Saramago e Mario Vargas Llosa. Uma única oportunidade de rever momentos inesquecíveis com grandes nomes da literatura. O programa será exibido pela TV Câmara no sábado, às 19h, e terá reprise no domingo, às 16h.
Sempre Um Papo – 25 anos – Literatura em Todos os Sentidos O Sempre Um Papo é um projeto de incentivo ao hábito da leitura, criado há 25 anos pelo produtor cultural mineiro, Afonso Borges. O projeto acumula números expressivos, casos divertidos, segredos revelados e encontros inéditos com personalidades de reconhecimento mundial, dentre eles, José Saramago e Paulo Coelho. Desde 1986, foram 4.500 eventos realizados e um público de 1, 5 milhão de pessoas, tendo atuado, ao longo dos anos, em 30 cidades brasileiras.
Os encontros do Sempre Um Papo realizados e gravados em Sete Lagoas , em parceria com a Iveco, irão ao ar em rede nacional pela TV Câmara. O primeiro programa vai ao ar no dia 23 de julho, sábado, às 19h e têm reprise no domingo, 24 de julho, às 16h. O sociólogo, cientista político e jornalista Sérgio Abranches, que falou sobre o tema “Ambiente, Sustentabilidade e Desenvolvimento”. Já o segundo teve a presença do jornalista Juca Kfouri, que abordou o tema “O Futebol e a Vida Nas Cidades” e estréia dia 06 de agosto, no mesmo horário, com reprise no dia 07. Além desses, o evento realizado com o jornalista Carlos A. Sardenberg, que falou sobre o tema “Economia em Cidades em Desenvolvimento”, foi exibido no dia 18 de junho.
O dinamismo e vigor da cena cultural mineira muito deve à Lei Estadual de Incentivo à Cultura, que se apóia em renúncia de ICMS e tem merecido esforços de toda a categoria no sentido de aperfeiçoamento e ampliação.
Ponderamos presentemente que o alcance e eficácia da referida lei poderiam ser significativamente dilatados com a inclusão no universo de potenciais patrocinadores das empresas que utilizam o procedimento tributário conhecido por “regime de substituição tributária”.
O referido procedimento permite que vultosos volumes de impostos oriundos de ICMS sejam pagos diretamente por fabricantes (principalmente de outros estados) à Secretaria de Estado da fazenda de Minas Gerais.
A medida ,em si louvável e eficiente ,trouxe para o Estado uma significativa melhora na arrecadação simplificando o mecanismo de recolhimento e eliminando quase totalmente a incidência de evasão fiscal.
O procedimento popularizado posteriormente à implantação da Lei de Incentivo a Cultura não prevê até o momento um mecanismo que possibilite a um número expressivo de empresas, notadamente ligadas ao comércio fazerem uso da lei por falta de regulamentação prevendo a situação específica.
Destacamos que a transformação pretendida incluindo empresas que utilizam substituição tributária irá ampliar substancialmente o universo potencial de patrocinadores, principalmente em uma faixa (o comércio) onde se situam pequenas e médias empresas e tem impacto descentralizador, beneficiando consideravelmente o interior do Estado e compensando um quadro distorcido onde as grandes empresas sofrem um assédio muito desequilibrado de empreendedores.
Tambem merece ressaltar que a medida pretendida não altera o montante destinado á renuncia fiscal pelo Estado e nem gera custos admnistrativos adicionais de qualquer natureza.
A ação em curso refletindo importante expectativa de artistas, produtores e empreendedores nasceu de carta do Forum da Música de Minas Gerais ao dep Domingos Sávio, recebeu recentemente apoio co Conselho Regional de Contabilistas e com adesão dos Dep Estaduais Luzia Ferreira e Fabiano Tolentino ganha forma de audiência pública a se realizar no próximo dia 15 , 14h no auditório da Assembleia
Túlio Mourão
Conselheiro da Assoc.dos Amigos do Museu Clube da Esquina
Casa Fiat de Cultura e Sempre Um Papo abrem o Seminário “Felicidade? – com Marcia Tiburi e convidados”
A Casa Fiat de Cultura e o Sempre um Papo retomam a série de seminários realizados desde 2009, nesta edição, com o tema “Felicidade?” com Marcia Tiburi e convidados. São seis encontros que vão trazer à tona este desejo universal, mas que tem uma história bem mais complexa relacionada à filosofia e, ao ramo da filosofia, prática chamada de ética. Questão cultural geral, a felicidade interessou a todos em tempos e espaços diferentes. Literário e poética, o tema não deixa de ser o foco humano em tempos modernos e virtuais. Na abertura, em 17 de maio, sob a mediação do idealizador do Sempre Um Papo, Afonso Borges, Marcia Tiburi falará sobre o tema “Felicidade e Infelicidade: O Desejo e a Ética”. Os próximos eventos ocorrem nos dias 24 e 31 de maio e 07, 14 e 21 de junho, sempre às terças-feiras, às 19h30, no auditório da Casa Fiat de Cultura – Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1.250 – Belvedere. A entrada é gratuita, por ordem de chegada, sujeita a lotação do espaço, 180 lugares.
Durante o seminário, a filósofa Marcia Tiburi e outros importantes intelectuais, como Alexandre Veloso de Abreu e Miriam Goldemberg tratarão de assuntos ligados ao tema. Diante da pergunta, “Felicidade?”, Tiburi questiona: “Mas será mesmo assim? Não será a infelicidade a verdadeira face desta grande idéia que nos serve de crença?”. De acordo com a escritora, a felicidade é o grande motivo pelo qual o ser humano escolhe ter um futuro. Justamente porque ela se faz como medida de todas as coisas humanas. Para ela, “em tempos sombrios, é bom lembrar do sentido da felicidade como idéia construtora do mundo antes que ela seja devorada pelo sistema que tudo transforma em mercadoria. Se a felicidade não se vende é porque ainda podemos sonhar com ela. Debatê-la é realizar o maior desejo filosófico, o de tentar compreendê-la à media que se fez tema urgente de nosso tempo”, acredita.
O seminário conta com o patrocínio da New Holland, numa realização da Casa Fiat de Cultura e Sempre Um Papo, com apoio do jornal Estado de Minas, da rádio Guarani FM, da TOM Comunicação e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. “Além de se firmar como um dos principais espaços de exposições de arte no Brasil, a Casa Fiat de Cultura busca sempre promover a discussão em torno de questões vitais ao homem contemporâneo”.
Temário:
17/05 – Marcia Tiburi
FELICIDADE E INFELICIDADE: O DESEJO E A ÉTICA
A felicidade é um tema filosófico. Muito antes de ter sido reduzida em nossos tempos a uma mercadoria publicitária, a felicidade era um ideal ético. A desvalorização da felicidade no contexto capitalista relaciona-se ao mundo do espetáculo, à banalização do desejo e também do sentido dos afetos em nossas vidas. Antes de qualquer análise temos que nos perguntar se ainda podemos falar de felicidade em nossos dias, e de qual felicidade? Não teríamos, hoje, quando vemos a colonização do desejo aniquilar o sentido da convivência e da auto-descoberta, que devolver a felicidade ao campo da ética? Ou a ética à felicidade?
24/05 – Marcia Tiburi
A INDÚSTRIA CULTURAL DA FELICIDADE
Do século XX até hoje a inteligência e a sensibilidade coletivas vivem sob o jugo da Indústria Cultural. Podemos dizer que o todo da cultura se tornou indústria. Nossa vida sensível toma consciência de si por meio das manifestações artísticas, da educação, da leitura. Das artes clássicas à arte culinária podemos dizer que há um trabalho humano de intensificação e valorização das experiências vividas. A Indústria Cultural é hoje a produção de experiência empobrecida. Desde a televisão (o nervo central da produção de imagem), até a alimentação (há uma Indústria Cultural que coordena o processo alimentar como processo social), passando pela saúde física (a Indústria da Vida Saudável) e pela saúde mental (Indústria da Vida Feliz), todos os processos humanos passam por um método de uniformização e banalização ao qual podemos chamar de Indústria. Cabe avaliar se a Indústria Cultural da Felicidade afetou as nossas vidas.
31/05 – Alexandre Veloso de Abreu
A FELICIDADE NA LITERATURA
Assim como a felicidade foi um ideal filosófico, ela foi representada no universo da literatura. Assim, partimos de um panorama da felicidade em marcantes obras da literatura ocidental, explorando as diversas nuanças do sentimento, desde seu aspecto mais “maniqueísta”, até concepções mais fluidas e ambíguas. Reflete-se se a felicidade é aspiração por um final feliz ou, nos dizeres de Clarice Lispector, clandestina.
07/06 – Miriam Goldemberg
A FELICIDADE, A BELEZA E O CORPO
O corpo é um capital na sociedade brasileira. A beleza é um ideal construído. As diferenças culturais entre o corpo masculino e feminino definem o lugar que cada um pode ocupar no mercado sexual. Modelos de corpo e de beleza definem, neste sentido, o que podemos considerar como felicidade. Mas que tipo de confusão surge quando as pessoas acreditam em um ideal tão curto e tão efêmero de felicidade?
14/06 – Marcia Tiburi
A FELICIDADE E A DOR DOS OUTROS
No contexto da sociedade espetacular, a sociedade que supervaloriza a imagem a ponto de idolatrar narcisicamente o próprio corpo e o corpo belo dos outros, há também o desejo perverso de conhecer o sofrimento alheio. Sabemos que o sofrimento sempre foi representado na poesia, na literatura, nas artes da pintura e no cinema. Mas o que acontece com o surgimento da fotografia? Com o cinema? E com o incremento da televisão? Qual a diferença entre a dor representada nas artes e a dor real mostrada nos veículos de comunicação? Que sentimentos estão em jogo? A compaixão, ou será o ódio, o afeto que nos rege nos tempos apocalípticos em que vivemos?
21/06 – Marcia Tiburi
A FELICIDADE NA ERA DIGITAL
A Internet é a nova promessa de felicidade. Seu valor está como o valor de uma nova roupa, uma casa nova, um novo carro, depois que os velhos bens não servem mais. É como se o corpo, a vida corporal, as relações no campo do atual (o espaço que compartilhamos com nossos corpos) se transformasse em mercadoria de segunda mão. Todos querem a vida zero quilometro. Com sua promessa de recriação e reinvenção é isso o que a Internet sugere. Relacionamentos tornam-se tão fáceis quanto descartáveis. Sejam amizades, amores, casos, o que há de mais simples é trocar de avatar e seguir sendo outra coisa que não se é. O que a internet realmente promete e o que ela de fato realiza? Quem é o ser humano dentro deste novo mundo admirável?
Serviço: “Felicidade? – com Marcia Tiburi e convidados”
Entrada Gratuita por ordem de chegada. Capacidade do auditório: 180 pessoas
Dias: 17, 24, 31 de maio e 07, 14 e 21 de junho – terças-feiras
Horário: 19h30
Local: Casa Fiat de Cultura – Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1.250 – Belvedere
Informações: (31) 3289-8900 – www.casafiatdecultura.com.br / www.sempreumpapo.com.br
O Certificado de Participação será entregue sempre após a palestra.
Informações para a imprensa:
Coord de Comunicação: Jozane Faleiro (31) 9204-6367 – imprensa@sempreumpapo.com.br
Jornalismo: Boulanger Campos: (31) 3261-1501 – bcampos@sempreumpapo.com.br
São Paulo, sexta-feira, 08 de abril de 2011
TENDÊNCIAS/DEBATES
O futuro, o Brasil e o mundo
JOSÉ VIEGAS FILHO
É de se prever, portanto, que o Brasil efetivamente tenha um papel crescente e positivo a desempenhar no seio da comunidade internacional
Trinta anos são uma geração. Basta observar como o mundo mudou da década de 50 para a de 80 e para a nossa para ver que ele estará novamente mudado em 2040. Ainda mais com a velocidade com que as coisas acontecem no nosso tempo, é impossível fazer previsões. Ou melhor: é impossível acertá-las. Isso não pode impedir, naturalmente, reflexões sobre o futuro, sobre o mundo e sobre algumas possíveis características da inserção do Brasil no cenário global. A crise atual do grande capitalismo econômico-financeiro não será eterna, mas ainda não acabou de deixar as suas marcas, entre as quais um vistoso reequilíbrio das relações internacionais, fruto de uma progressiva descentralização do poder político e econômico.
Ainda nesta década, o Brasil poderá ser a quinta ou sexta economia do mundo, superando as diferenças quantitativas com relação à França, à Grã Bretanha e à Alemanha e aproximando-se cada vez mais desse patamar do ponto de vista qualitativo. Quanto aos aspectos políticos, o mundo poderá ver-se fortemente pressionado por problemas globais cuja resolução, hoje incerta, terá que ocorrer já nos próximos 30 anos. Refiro-me a questões como a mudança do clima, as migrações e os desequilíbrios sociais, a luta contra o terrorismo e a construção de um sistema internacional de tomada de decisões que seja, ao mesmo tempo, mais justo, mais democrático e mais eficaz.
Impedir o fracasso do sistema internacional e buscar seu aperfeiçoamento provavelmente estarão entre as principais tarefas da próxima geração de políticos e diplomatas. Até hoje, as potências principais ainda agem como se suas ações individuais pudessem dar solução aos problemas globais, raciocínio antigo e contraproducente.
Os requisitos de defesa certamente continuarão a existir, mas as ações internacionais têm de ser tomadas pela comunidade das nações e pelos órgãos que a representam legitimamente. É quase absurdo, por exemplo, pensar que a composição do Conselho de Segurança da ONU, que reflete ainda hoje a situação vigente em 1946 -depois do que o mundo passou por seguidas e profundas transformações geopolíticas-, permaneça imutável.
O pessimismo, a perda de vitalidade política, a atitude defensiva quanto à entrada de imigrantes, a virtual ausência de grandes planos de mudança econômica e social e o conservadorismo em geral poderão manter papel proeminente na evolução dos países do Atlântico Norte no futuro previsível.
Nós, no Brasil e na América do Sul, vemos o futuro com otimismo e dinamismo econômico-social.
O Brasil -e quem sabe nossa região- desenvolveu um claro consenso sobre as vantagens de gerar o progresso econômico com base no mercado robusto que deriva da ascensão das faixas mais pobres da sociedade. É de se prever, portanto, que o Brasil efetivamente tenha um papel crescente e positivo a desempenhar no seio da comunidade internacional. Sob diferentes aspectos, o nosso país tem as características mais propícias para isso.
Sempre vivemos com os olhos no futuro, e não no passado, e temos firmemente, como nação, características que podem ser vistas como modelares na formação de um mundo novo: a ausência de qualquer desejo de hegemonia e dominação, ao lado da defesa do diálogo e da democracia, da solução pacífica e negociada das controvérsias, da cooperação igualitária, do pluralismo e do caráter revigorador da variedade e da diversidade.
Junto conosco emerge a nossa região, em especial a América do Sul, com que compartilhamos amplamente esses valores. As economias estão ajustadas, a democracia é sólida e nossos povos desejam a inclusão social. Não queremos criar problemas: queremos resolvê-los.
Com progresso e concórdia.
JOSÉ VIEGAS FILHO, 68, é embaixador do Brasil na Itália. Foi ministro da Defesa (2004-2005) e embaixador do Brasil na Dinamarca (1995-98), no Peru (1998-2001), na Rússia (2001-2002) e na Espanha (2005-2008).



