O escritor Sergio Sant’anna participa do Sempre Um Papo no dia 07 de abril, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. No encontro ele debate com o público sobre o tema “Os Caminhos da Ficção”. O autor já venceu por quatro vezes o prêmio Jabuti e publicou diversos livros, entre eles: O Vôo da Madrugada; O Concerto De João Gilberto No Rio De Janeiro; A Senhora Simpson e Um Crime Delicado que foi adaptado para o cinema por Beto Brant. Seus contos foram traduzidos e publicados em mais de dez países.
Confira o bate-papo do autor com a jornalista Jozane Faleiro, assessora de comunicação do Sempre Um Papo.
No Sempre Um Papo, você fará um paralelo entre ficção longa (romance), média (novela) e curta (conto). Qual é o elo entre estes gêneros e o que os diferencia além da extensão da história?
O conto é mais condensado e pode ter um parentesco com a poesia. A novela tem também essa condensação, mas se estende um pouco mais, aproximando-se um pouco do romance. O romance permite deter-se longamente com os personagens, além de permitir incluir os períodos históricos, estender mais no tempo e em cada ação e personagem.
Você diz que o conto é o que mais o atrai, por quê?
Justamente pela condensação, permite uma elaboração muito densa.
Mesclar a realidade com a ficção é um recurso bastante usado. Como você avalia este recurso?
Pode ser bem mesclado, com toda a liberdade. Eu mesmo mesclei no livro Concerto de João Gilberto, no qual eu uso bastante pessoas e fatos reais. No conto Invocações, que está no livro “O Vôo da Madrugada”, eu utilizo muitos fatos de minha memória e de minha família e também mesclo com a ficção.
Existe um roteiro a ser seguido para iniciar uma ficção?
Não. É uma coisa que tem que deixar aparecer na cabeça.
Em que o autor deve ficar atento ao iniciar uma ficção?
Em nada. Tem que relaxar e deixar fluir.
Qual é o personagem literário que mais te marcou?
Em minha imaginação de leitor o personagem mais marcante se chama Veno, do romance A Consciência de Veno, do sloveno Italo Svevo.
Qual o livro que foi fundamental em sua formação?
A obra de Monterio Lobato inteira foi importante na minha formação de leitor. Na minha literatura, Joao Miramar e Oswald de Andrade. Outro que não é tão antigo, é o livro chamado ‘Formas Breves’, de Ricardo Piglia. São ensaios sobre a ficção, que aprofundam e discutem de forma interassante as características da ficção.
Como é o seu processo de criação?
Deixo entrar a ideia bastante espontaneasmente e faço anotações e depois trabalho exaustivamente a ideia.
A literatura ficcional está cheia de cenas marcantes e autores. Você pode citar algum?
Imediatamene penso em dois autores: a personagem Adrian Leverkun na cena em que ele é possuído pelo demônio. No livro Dr Fausto, do autor Tomas Mann, ele é um músico que faz um pacto com o demônio para conseguir fazer uma composição revolucionária e inovadora. Outra cena é a da reunião literária no livro “Os Possessos” de Dostoievski.