Reflexões de Rubem Alves sobre o amor

O escritor Rubem Alves é um fenômeno. Seus livros vendem feito água e sua presença em debates é aguardada com ansiedade. Todo mundo quer ouvir sua fala mansa, pausada, quase celestial; todo mundo que estar bem pertinho desse legítimo contador de histórias.

Seus livros quase sempre giram em torno da lição de moral positiva, recheados de exemplos que o leitor se identifica e conclui que o escritor conseguiu decifar a sua alma. Todos perguntam o que Rubem Alves tem. Mas, a cada dia, tenho a certeza que ele é bom porque é um ser humano como todos nós. E é inevitável que os humanos sofram por amor. Até ele, o senhor das palavras, teve sua vida desestabilizada ao perder seu grande amor.

Foi assim – amando e sofrendo por não ser correspondido – que Rubem Alves esteve em Belo Horizonte para mais um Sempre Um Papo. Para nós, leitores, foi um momento de exemplos, alguns dos quais tomo a liberdade de comentar.

1) O que seria de Romeu e Julieta se Sheakespeare não os tivesse matado antes do fim de seu livro? Para Rubem Alves, o casamento seria uma outra tragédia, por conta da rotina. Daí o sucesso do livro, que encanta apaixonados no mundo inteiro. “Amor feliz não dá literatura”, afirmou. Realmente: não teria graça uma novela sem desavenças amorosas.

2) A conseqüência do amor entre homem e mulher é o casamento. Rubem Alves fez questão de citar seu filósofo favorito: “Nietzsche diz que, quando a gente vai casar com uma pessoa, tem que se fazer uma pergunta: terei prazer em conversar com essa pessoa até o fim dos meus dias? O amor é sustentado pela conversa”.

3) E conversa tem tudo a ver com a verdade do coração. Mas quem manda nele? “Nós não somos responsáveis pelos nossos sentimentos. Somos responsáveis pelas nossas ações. Mas eu sinto que tenho direito de dizer o que estou sentindo”. Doa a quem doer.

4) Para muitos, a música sertaneja transmite emoção e sentimento. Para Rubem Alves é motivo de crime passional. “Eu acho que muito crime de amor é cometido por causa da música caipira”

5) “Idoso é palavra de fila de banco e supermercado. Velho é a palavra da poesia”. E os velhos também devem amar. Pena que também podem sofrer por amor.

Se, como muitos, você gosta de Rubem Alves, não deixe de ver o programa Sempre Um Papo, na TV Câmara. Sábado, 19h; domingo, 16h.