Biblioteca e crematório

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Antes, aproveito para divulgar o blog do bom Xará Affonso Romano de Sant’anna. É simples: affonsoromano.com.br. Com dois effes.
Pois é dele a boa história do Rubem Braga que, sabendo-se vítima de um câncer maligno na garganta, foi a São Paulo com um amigo para acertar tudo em um crematório. No Rio de Janeiro, há vinte anos, não havia esta fábrica de cinzas. Quando o funcionário fez a célebre frase: onde está o morto?, ouviu: “o senhor está falando com ele”.
E esta higiênica e controversa forma de cuidar do corpo Post mortem vai acabar com a minha teoria sobre os escritores e os túmulos. Afffonso Romano contou, em crônica, que sua mulher, a queridíssisma Marina Colasanti, chegou em casa um dia com um atestado autorizando a sua cremação. E lá foi ele lavrar o documento em cartório. Humberto Werneck já avisou a família, mas se deu mal: sua filha lascou esta:

– E o nosso pai? Vamos queimar ele, né?

Fico indignado com esta coisa natureba de cremação. Escritor que se preza tem que ter velório longo, anúncio em jornal, e muito pão de queijo, café e piadinha sem graça no enterro. E mais: necrológico elogioso e muita gente lamentando. E ser enterrado, de preferência, na cidade quem em que fez mais amigos, onde ele viveu mais tempo. Nada de levar o corpo, ou as cinzas, para cidade natal, onde ele demorou anos pra conseguir sair. Este castigo ninguém merece.