Alphonsus e a dedicatória do além…

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Ainda no tempo das dedicatórias, Graciliano Ramos era seríssimo; “com os meus respeitos”, ele encerrava. Girando a bússula do tempo, o navegador Amyr Klink, além de bem humorado e atencioso, desenha geleiras e pinguins em cima de bloco de gelo nas páginas dos livros. Leonardo Boff ouve, conversa e depois decide o que vai escrever. Na maioria das vezes, um bom conselho, uma mensagem de alto astral. Coisa de padre.

Mas o destino me reservou uma história inacreditável. Outro dia, Humberto Werneck me pediu para conferir um poema em um livro do marianense radicado no Rio, Alphonsus de Guimaraens Filho, falecido em agosto do ano passado. O livro chama-se “Nó” e eu o comprei, há uns cinco anos, em um sebo em São Paulo. Ouçam o que estava escrito na dedicatória:

“Para Humberto Werneck, muito cordialmente, com o sincero apreço do Alphonsus de Guimaraens Filho. Rio, 10/12/84”

Aí eu liguei pro Humberto e perguntei: mas você teve coragem de vender este livro prum sebo?? Ele, muito mais espantado que eu, pensou um bocado e ligou as pontas. Nesta época, trabalhava em um jornal. Certamente, alguém decidiu diminuir a sua correspondência e favorecer um sebo. É claro que eu enviei o livro para ele que, 25 anos depois, chega ao seu destino… b

Que história, heim…