Quero dar uma sugestão ao José Eduardo Gonçalves e à Sílvia Rubião, editores da coleção BH, A CIDADE DE CADA UM.
Alguém tem que escrever, urgente, a história Teatro Municipal, inaugurado em mil novecentos e nove, mais conhecido como Cine Metrópole. Ele ficava ali, ao lado da antiga sede do Estado de Minas, na confluência da Rua da Bahia com Rua Goiás. Era um prédio art-decór, lindíssimo. O Bradesco comprou o prédio e travou-se uma verdadeira batalha entre a população, o município, e o banco. Adivinha quem venceu? O Bradesco que, como medida compensatória, construiu o Teatro Klauss Vianna, que fica dentro do prédio da Oi, antiga Telemar, ali na Avenida Afonso Pena. Mas acontece que o Teatro Klauss Vianna está fechado há anos! Ou seja, a cidade perdeu um de seus prédios mais lindos e signicativos de sua história, o Cine Metrópole, ganhou um teatro novo que está, há anos, fechado.
Não dá uma bom livro? Agora, imaginem se a Oi restaurasse o Teatro Klauss Vianna, hoje confinado ao prédio da Avenida Afonso Pena, e o entregasse, novamente, à comunidade?
Não daria um final bem feliz para esta triste história?
Gabriel García Márquez diz que a realidade é muito melhor que a ficção. Esta frase ilustra muito bem a trajetória do Doutor Antonio Luciano Pereira Filho, falecido em mil novecentos e noventa e que deixou, nos anais do Tribunal de Justiça de Minas Gerais o mais polêmico, complicado e vultuoso inventário que este Brasil já viu.
Com uma fortuna estimada em três bilhões de dólares, e famoso pela suas aventuras amorosas e preferência sexual por garotas virgens, ele teve, comprovados, até agora, trinta e oito filhos. Todos já receberam cerca de vinte milhões de reais, a parte deixada por ele, antes de morrer, depositada na Justiça.
E ainda está lá, para os possíveis futuros filhos, mais cem milhões, em cinco cotas de vinte. Vocês vão ler, em breve, um livro que conta a história deste espantoso inventário e a mais complexa partilha de bens já vista até hoje. O autor, um conhecido jornalista, leu as mais de cinqüenta mil páginas, divididas em cento e dezoito volumes, onde os herdeiros expõem suas angústias, ressentimentos e, sobretudo, suas ambições. Aguardem. E mais: com uma bruta surpresa, no final.
No dia vinte e dois de dezembro de oitenta e oito, o sindicalista Chico Mendes foi assassinado, na porta de sua casa, em Xapuri, no Acre.
Neste dezembro, portanto, completam-se vinte anos de sua morte. Passado todo este tempo, eu acho que eu posso contar uma história: a testemunha principal do caso, Genésio Ferreira da Silva, na época com quatorze anos, ficou escondido seis meses no meu apartamento, ali na Serra, a pedido do jornalista Zuenir Ventura.
Quando o Zuenir ficou sabendo que o Genésio ia ser assassinado, ele pediu a guarda provisória do menino, e o levou pro Rio de Janeiro. Este gesto corajoso e humanitário do Zuenir foi decisivo na condenação dos assassinos Darli e Darci Alves.
Leiam o livro “Chico Mendes - Crime e Castigo”, editado pela Companhia das Letras, escrito por Zuenir Ventura e entendam o que aconteceu, de verdade.
Nunca esqueçam de Chico Mendes e o que ele representa para a história do Brasil. Mesmos passados vinte anos de seu covarde assassinato.
“Socorram-me, subi no ônibus em marrocos”
“A base do teto desaba”
Estas frases são palíndromos, palavras ou números que permanecem iguais quando se lê de trás pra frente. Parente da matemática, o palíndromo é uma verdadeira mania. O veterano palindromista Rômulo Marinho que escreveu o livro “Tucano na CUT”, é um craque. É autor de pérolas como “o rio é de oiro” e “até o papa poeta”.
Reza a lenda que o palíndromo foi inventado na Grécia. Um filósofo sátiro resolveu fazer graça com o chefe de plantão. Resultado: foi cruelmente assassinado. É, portanto, assim como a linguagem, uma arte perigosa. Mas é muito divertida. Existem os naturais, como “merecerem” e “mil e dois”, os artificiais, que formam outras palavras, como “amor” e “marrocos” e, independente de terem sentido ou não, é uma forma interessante de brincar com a palavra e da estrutura da linguagem. Tentem.
Encerro com o mais antigo que se tem notícia, em latim: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS. Otto Lara Resende contava que as beatas do interior de Minas colocavam este palíndromo em patuás, usados para curar doenças. Ninguém sabe ao certo o que quer dizer. Eu fico com a tradução do bem: “Deus, Criador, mantém com cuidado o mundo em sua rota”.
Em vinte e um de fevereiro de dois mil e nove completam-se dez anos de morte do queridíssimo e saudoso Francisco Iglesias. Mas quem foi Francisco Iglesias? Iglesias nasceu em Pirapora, mas é belorizontino de vida inteira. Foi historiador, ensaísta, autor de livros importantes como “Trajetória Política do Brasil” e professor emérito da UFMG. Sua personalidade lúcida, independente e crítica influenciou diferentes gerações de jornalistas, escritores, intelectuais e políticos. Figura adorável e inovadora, não mediu esforços para entender o Brasil de aqui e agora.
Deixou mais do que amigos: discípulos e seguidores. João Antônio de Paula, Wilson Figueiredo, Sábato Magáldi, os quatro mineiros, Hélio, Fernando, Paulo e Otto, e centenas de alunos e admiradores.
Uma dívida Minas tem com Iglésias: seu acervo está, graças a Deus, muito bem guardado, no Instituto Moreira Salles, em São Paulo. São mais de 3.000 documentos, mas ainda não disponíveis para consulta, porque não está catalogado.
Além de tudo, Iglésias sempre tinha com uma opinião original e divertida sobre qualquer assunto. E mesmo depois de dez anos, ele nos prega uma peça. Vamos juntar os amigos e fazer uma bela homenagem, em sua lembrança. Mas sabem quando cai o dia 21 de fevereiro? Sábado de carnaval ! Mas não há de ser nada. A homenagem vai acontecer, no meio da semana. Coloquem na agenda: fevereiro será o mês de lembrar o querido e saudoso professor Francisco Iglésias.
Mais uma polêmica sai do Congresso Nacional. Responda: Você acha que toda biblioteca pública do País deve ter, obrigatoriamente, um exemplar da Bíblia?
Os parlamentares acham que sim. O projeto já foi aprovado em caráter conclusivo e seguirá para o Senado ainda esta semana.
O autor argumenta que apresentou o projeto por causa da “sólida tradição cristã” no Brasil e para tornar a Bíblia acessível às populações carentes. Eu acho que a palavra “obrigatoriedade” é inconstitucional, fere princípios.
E outro problema: qual Bíblia? Qual tradução? Qual edição? Qual editora? Haverá mais um Edital Público para compra de Bíblias??
Os adventistas do Sétimo Dia tem uma Bíblia. Os evangélicos, outra versão. Os católicos, uma outra. E por aí vai. Eu gosto muitíssimo das palavras sagradas vertidas diretamente do hebraico. Mas será a minha opinião conta??
Olha, o Congresso está comprando uma briga que vai começar no Orçamento, passar pelos cultos, pelas igrejas e terminar, sabe aonde? Em preconceito. E para terminar: se a Bíblia for obrigatória, por que não o Alcorão, o Torá…
Vejam o vespeiro que o Congresso Nacional está entrando….
Mais uma polêmica sai do Congresso Nacional. Responda:
Você acha que toda biblioteca pública do País deve ter, obrigatoriamente, um exemplar da Bíblia?
Os parlamentares acham que sim. O projeto já foi aprovado em caráter conclusivo e seguirá para o Senado ainda esta semana.
O autor argumenta que apresentou o projeto por causa da “sólida tradição cristã” no Brasil e para tornar a Bíblia acessível às populações carentes.
Eu acho que a palavra “obrigatoriedade” é inconstitucional, fere princípios.
E outro problema: qual Bíblia? Qual tradução? Qual edição? Qual editora? Haverá mais um Edital Público para compra de Bíblias??
Os adventistas do Sétimo Dia tem uma Bíblia. Os evangélicos, outra versão. Os católicos, uma outra. E por aí vai.
Eu gosto muitíssimo das palavras sagradas vertidas diretamente do hebraico. Mas será a minha opinião conta??
Olha, o Congresso está comprando uma briga que vai começar no Orçamento, passar pelos cultos, pelas igrejas e terminar, sabe aonde?
Em preconceito. E para terminar: se a Bíblia for obrigatória, por que não o Alcorão, o Torá…
Vejam o vespeiro que o Congresso Nacional está entrando….
Mary Del Priore, autora de mais de 20 trabalhos sobre a história do Brasil, lança mais um belo livro, chamado “Condessa de Barral”. É a história verídica de uma das fascinantes personagens do período do Império, Luísa Margarida Portugal e Barros, a Condessa de Barral, que manteve durante trinta anos um relacionamento lendário com o Imperador do Brasil, D.Pedro II.
Mais do que uma simples amante, esta filha de um senhor de engenhos apaixonado pelas letras foi uma das figuras femininas mais originais e interessantes de seu tempo. Para decifrar esta enigmática e controversa personagem, Mary Del Priore mergulha mais uma vez numa história surpreendente, rica em detalhes, costumes e referências ao vocabulário da época do Império.
Eu recomendo “Condessa de Barral”, editado pela Objetiva e escrito por Mary Del Priore, autora de “O Príncipe Maldito”, “História das Mulheres no Brasil”, entre muitos outros.
O preço do livro é sempre um divisor de águas entre o leitor e a editora. No meio do caminho, as livrarias têm pouco poder de fogo, porque o preço final é sempre determinado pela Editora. Nessa batalha, a Cosac Naify saiu na frente. É a primeira a disponibilizar, em seu site, duas seções interessantíssimas:
“Descontos e promoções” e “Outlet”
Em “Descontos e Promoções”, você compra, por exemplo, uma caixa maravilhosa com quatro livros do antropólogo Claude Levi Strauss de duzentos e quarenta e três por cento e sessenta e três reais. Ou a obra completa de Paulo Emílio Salles Gomes, composta de três livros, de cento e vinte e três por cento e cinco. Resumo: coisa de vinte a trinta por cento de desconto.
Na seção “Outlet”, os livros são bem mais em conta porque tem pequenos defeitos, como manchas e dobras nas pontas. Mas você compra o livro “Corte e Dobra: Amílcar de Castro” de setenta e nove por trinta e nove reais. Ou o excelente livro de contos do Luiz Vilela, intitulado “A Cabeça”, de quarenta e cinco, por vinte e dois reais.
É uma boa idéia nesta guerra do preço dos livros. Tomara que pegue. Mas, por enquanto, só no site da Editora: www.cosacnaify.com.br, na seção “Loja Eletrônica”. E com mais um incentivo: frete grátis em compras acima de cem reais.
Morro Reuter, uma pequena cidade que fica a sessenta quilômetros de Porto Alegre, detém o segundo maior índice de alfabetização do Brasil: noventa e oito por cento de cidadãos que saber ler e escrever. O cartão-postal da cidade é um monumento que se chama “Obelisco de Livros”, de onze metros de altura, formado por setenta e dois livros. Há treze anos, eles realizam uma simpática Feira do Livro. Para evidenciar a sua importância, os vereadores votaram uma lei fantástica, que deve e pode ser repetida aqui em todo o Brasil: todo cidadão em dia com os impostos recebe, da Prefeitura, como incentivo anual, um bônus-livro para trocar na Feira. Uma iniciativa singela, mas poderosa para o incentivo à leitura. E este pequeno município campeão em educação tem várias boas idéias para colocar o livro e seu autor no lugar mais alto da atividade humana. Guardem o nome desta cidade gaúcha: Morro Reuter, que tem nos projetos educacionais o seu maior orgulho e ponto de atração, porque não dizer, turística.




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