Vocês já ouviram falar do instrumentista e compositor baiano André Luiz de Oliveira? Na minha modesta opinião, ele é autor da mais linda musicalização dos poemas do livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa que já foi feita na face da terra. Eu comprei o elepê no século dezessete, numa lojinha pequena de discos na Rua Guajajaras. Vejam o time: Caetano Veloso canta “Padrão”, Elizete Cardoso, “O Desejado”, Gilberto Gil, “Prece”, Elba Ramalho, “O Infante”, Zé Ramalho arrebenta em “A Última Nau”. O compositor André Luiz de Oliveira interpreta o conhecido “Mar Portuguez”. Afinal, quem não se lembra do verso “tudo vale a pena se a alma não é pequena”? Agora, para chorar até o dia seguinte de tanta beleza, ouçam Gal Costa cantando o poema “Nevoeiro”. Agora, a má notícia: como conseguir o CD “Mensagem”, de André Luiz de Oliveira? Não sei. Quem conseguir, me avise?
Para aqueles que pretendem se candidatar a uma das 6.600 vagas ofertadas pela UFMG no vestibular 2011, a boa notícia: já saiu a relação de livros. Vejam, o vestibular só vai acontecer no final do ano. A divulgação com antecedência é importante porque a maioria dos candidatos faz vários vestibulares. Vai aí a lista da UFMG: “O Desertor”, de Silva Alvarenga, um poeta nascido em Vila Rica no século dezenove; “A Carteira do Meu Tio”, uma novela de Joaquim Manuel de Macedo, o cronista do Império; “Contos de Aprendiz”, do nosso Carlos Drummond de Andrade; “A Estrela Sobe”, um romance carioca da década de quarenta de Marques Rebelo e “O Homem e Sua Hora”, de Mário Faustino. Da minha parte, a alegria imensa de ver este que para mim é um dos maiores poetas do século passado: o piauiense criado no Rio de Janeiro, Mário Faustino. Com ou sem vestibular, recomendo sempre os poemas metafísicos de seu livro “O Homem e Sua Hora”.
A FLIP, Feira Literária de Paraty, encara o oitavo ano de realização ininterrupta e firma-se como um importante evento do gênero no Brasil. O homenageado desta edição será o sociólogo Gilberto Freyre. E o primeiro nome convidado é o irlandês Colum McCann, autor de 8 livros de ficção. Seu mais recente livro foi considerado pela crítica como o primeiro grande romance sobre o atentado de onze de setembro. Sob o título Deixe o mundo girar, sairá no Brasil pela Record ainda no primeiro semestre deste ano. Bem, vem aí a oitava edição da FLIP, em Paraty, mas enfrentando um desafio: por causa da Copa do Mundo, sai das férias de julho e entra no período letivo: entre 04 e 08 de agosto.
Um dos grandes problemas da leitura no Brasil são os jovens. Tem criança que lê um livro por dia, adulto também. Mas na adolescência e juventude, a coisa fica dificílima. Eles param de ler, mesmo.
Sem dúvida alguma por causa das famosas atrações digitais. Por isso, recomendo os livros do novo selo editorial da Record, chamado Galera, destinado ao público juvenil. Chegando quentinho nas livrarias, os lançamentos: de Marcelo Carneiro da Cunha, “Super: uma história sobre hackers e a internet”, de Eliane Ganem, “O Caso do Elefante Dourado”; de Giselle Nogueira, “Casaco Marrom” e de Rogério Andrade Barbosa, “A Caixa dos Segredos”. Fiquem ligados na literatura juvenil. Ela é necessária. Mais informações no site galerarecord.com.br
Estou reativando o DATAMONDOLIVRO. Alguém aí lê um jornal inteirinho, na internet? Eu sou viciado, não conta. Mesmo assim, na tela do computador, vou direto aos assuntos que me interessam. Mas dificilmente leio os artigos maiores. E aí reside a grande diferença, na minha opinião, do jornal impresso. No bom papel jornal, as pessoas passam por todos os assuntos do mundo contemporâneo, as chamadas Editorias, e escolhem o que mais interessa. E aí, fazem o quê? Leem. E na maioria das vezes, a matéria inteira. Por isso, o jornal impresso não vai acabar nunca. Ele é holístico, integrado. Fica aqui a minha lembrança, o meu apelo: sem abandonar os portais de notícias na internet, não deixem de ler jornais impressos. Só eles formam opinião.
Fabrício Carpinejar, o bom Fabro, de Santa Catarina, querido amigo, é o poeta do Brasil. O poeta das boas emoções, sempre de coração aberto. Hoje, dia dos namorados, eu vou contar uma história de encantar. Um dia, o Carpinejar recebeu um email estranhíssimo. Uma leitora de São Paulo, agnóstica, fazia um pedido diferente: que ele celebrasse o seu casamento. Ela justificou, pela internet – não há nada melhor que um poeta, para celebrar o amor. Dois meses depois, lá estava Carpinejar, em São Paulo. O noivo tinha concordado com a inusitada cerimônia por pura gentileza. Aceitou o estranho pedido da amada, mas não imaginava o que estava por vir. Para o encantamento dos convidados, Fabrício Carpinejar transformou o ritual em um recital, cantando a história do casal em verso. Com direito a aliança, padrinhos e tudo como manda o figurino. Para terminar, Fabro disse em alto e bom som: – Estão casados, em nome da poesia.
Estava inaugurada uma nova religião, fundada na mais antiga das artes do amor: o poema.
O bom amigo Waldemar Falcão me lembrou de uma misteriosa e divertida história, ocorrida há uns dez anos atrás. Eu estava fazendo, na mesma semana, em Beagá, eventos com Leonardo Boff e o físico francês Patrick Drout, que tem livros com “Reencarnação e Imortalidade” e “Somos Todos Imortais”. Por coincidência, Patrick foi ao lançamento do Leonardo. No meio da palestra, um sujeito perguntou se o Leonardo acreditava em reencarnação. Ele apontou o Patrick, na platéia e pediu para ele subir ao palco, para responder esta pergunta. O Patrick subiu, e respondeu com uma parábola, atribuída a Buda:
“Um discípulo perguntou a Buda se ele acreditava em reencarnação. Buda respondeu:
‘Se você olhar para a vida com os olhos da matéria, a reencarnação não existe. Mas se você tiver os olhos no espírito, a reencarnação é um fato.’ ”
Não satisfeito, ele virou pro Leonardo e perguntou:
- Leonardo, porque você largou a batina???
Leonardo, aproveitou o mote, e inteligentísismo, respondeu, aproveitando a resposta de Buda.
- Se você olhar para a igreja e considerar que ela é o vaticano, que ela é o papa, vai entender o porquê…
Amyr Klink tinha voltado da invernagem Antártida. Eu liguei pra ele e convidei para vir a Beagá. Gentilmente, ele recusou, dizendo que ainda teria que escrever o livro. Eu insisti e ele veio, só para falar do assunto. Eu fui buscá-lo no aeroporto. Ao sair, uma fã veio correndo, pulou em cima dele e encheu ele de beijos. Eu dei um passo atrás e sinalizei que esperava ele no hotel. Ele disse que ia com a moça. Tudo bem. Cheguei lá, e nada… Uma hora, duas horas depois, ele chegou. Eu não perguntei nada… Somente imaginei o que o tinha acontecido. No final daquele ano, ele voltou, para lançar o livro. Eu fui, novamente, buscá-lo no aeroporto, imaginando que a história ia se repetir. Mas não… Nada de fã, ninguém nem notou a presença dele. Entramos no meu carro, um Gol dupla carburação a alcool… E, quando fiz a primeira curva, o escapamento deu tiro. Pufff… O Amyr grudou no banco, disse não… De novo, não… Aí ele me contou, o que aconteceu, no início do ano. Ele saiu do estacionamento de confins, num Caravan da moça … Que na verdade, era uma amiga antiga. O carro acabou a gasolina e ele teve que empurrar o Caravan mais de quatro quilômetros, até chegar a um posto… Ele me disse que nunca mais viu a moça… É claro, né?
Eu tenho várias histórias com José Saramago. Mas a mais divertida foi esta: Na primeira vez que eu o trouxe a Belo Horizonte, fui buscá-lo no aeroporto. Quando ele entrou no carro, e sentou-se do meu lado, tocou meu celular. Eu tinha um auricular, aquele fone de ouvido que tem microfone. Eu atendi, e era um amigo dele, de Portugal, precisando falar com urgência. Eu estava dirigindo, e falei: – José, é para você. E entreguei o fone de ouvido. – Ele disse: mas como me acharam aqui? Eu acabei de chegar!! – Eu falei, num sei, coloca no ouvido e fala… – Ele terminou a ligação, me entregou o fone de ouvido e perguntou: – Mas como? É milagre? – Milagre, não – satélite – respondi. E ele respondeu: – Mas deveria ser ! Eu perguntei: por que? – Ele respondeu: – Porque se pudéssemos fazer este, faríamos outros…
Rubem Alves continua, aos oitenta e poucos anos, encantando multidões. Eu já passei todo tipo de aperto com ele. Em primeiro lugar, quando lançamos um de seus livros, há anos atrás, haviam mil e setecentas pessoas dentro do grande teatro do palácio das artes e mais duas mil, fora. O que nós fizemos? Como cinema, ou seja, duas sessões – uma às sete e meia e outra às nove horas da noite. Em outra vez, o evento foi em uma quadra, dentro de um grande colégio de BH. Como o palco estava instalado na quadra, tivemos que entrar por trás do público. Parecia partida de futebol, mesmo, com arquibancada lotada. Eu sentei na mesa, ao lado do Rubem, olhei aquele povo todo, olhei para a única saída, lá no finzinho… E já comecei a tremer… Como vamos sair daqui????? Bem, terminou o evento, e o público, na maioria feminino, pulou em cima do Rubem. Conseguimos, graças a três seguranças, sair da quadra. Mas quando saímos, dezenas de pessoas fizeram uma espécie de corredor polonês, de um lado e de outro. Sabe o que eu fiz? Virei pro Rubem e disse: – Querido, corre !!! E começamos a correr, com a mulherada atrás, pelo jardim do colégio. Nesse meio tempo, ele me perguntou: – Mas Afonso, que loucura… O que este pessoal quer??? Eu respondi, mais desesperado que ele: – Sei lá, Rubem, corre!!!




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