Só o livro educa, só a leitura ensina. Umberto Eco escreveu que o século vinte foi o o século da imagem. Todo mundo grudado na TV, no vídeo e no cinema. Com o advento da internet e as mídias móveis, ele sustenta que este será o século da palavra. Nunca se leu e escreveu tanto na história da humanidade. A palavra desgrudou do papel e foi para o hiper-espaço. Vocês fazem idéia do número de pessoas que trocam mensagens de texto pelo celular mundo afora? É palavra! Mas é importante dizer, sempre – só a leitura educa.
De uns tempos pra cá, mais exatamente desde o lançamento de “O Mundo de Sofia”, de Joistein Gaarden, a filosofia aproximou-se perigosamente, da auto-ajuda. Pois vai acontecer em Belo Horizonte, e somente em Belo Horizonte, o seminário “A Filosofia e o Autoconhecimento – Diálogos com Marcia Tiburi na Casa Fiat de Cultura” para colocar na pauta do dia – e da noite – esta duvidosa aproximação. Os temas são deliciosos – “Saber de si – Saber de Ninguém”, “Sobre Eros e Conhecimentos em Si”, “A Invenção da Sinceridade”, “Tornar-se o que se é” e “Sobre a Atualidade da Angústia”. Tiburi convidou para o diálogo feras como Imaculada Kangussu, Carla Damião, Marco Heleno Barreto e Juliano Pessanha. Em breve, dou mais informações.
Por favor, me ajudem. O Congresso Nacional aprovou a Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os livros didáticos e para-didáticos já estão sendo impressos com a nova regra, que só passa a valer, de verdade, a partir de 2012. Perfeito, vamos aprender as novas regras. Mas onde conferir a grafia das palavras novas? No Dicionário, o bom e velho pai dos burros. Pois lá vou eu comprar um. E qual comprar?? Uai, o melhor. OU um dos melhores. Fui ao bom Antonio Houaiss, o mestre dos mestres, ao lado de Aurélio Buarque de Holanda. Certo?? Mais ou menos. É que eu não consigo me conter de tanta felicidade ao ler a promoção em um site famoso na internet. O Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa , com a Reforma Ortográfica, está em PROMOÇÃO. Uma promoção maravilhosa para a maioria da população brasileira. De duzentos e cinqüenta reais, por cento e setenta e cinco. Não é uma beleza?? Cento e setenta e cinco reais é o que custa um bom dicionário, fundamental para o entendimento da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Me ajudem aí, sem hífen: onde nós erramos?
Teo Zanquis é o roqueiro decadente e solitário, autor de um único sucesso nos anos oitenta. Suas aventuras e desventuras, narradas em um tom confessional, é o tema do novo livro de Tony Bellotto, com o curioso título de “No Buraco”. O apresentador do programa “Afinando a Língua”, no Canal Futura e autor de “Belline e a Esfinge” e “Os Insones” envereda desta vez por um romance onde o autor é uma espécie de alter ego ao contrário dele mesmo. E com o excelente guitarrista e compositor Tony Bellotto cada vez melhor melhor como escritor. Quando sair, corram e comprem “No Buraco”, editado pela Companhia das Letras.
Desde sempre, a literatura serve de inspiração para as diversas outras artes. Desta vez foi a moda que buscou nas páginas da “Odisséia”, de Homero, ideias para ilustrar saias, vestidos, blusas, shorts e por aí vai, no infindável guarda roupa feminino. Isso mesmo, a estilista Ananda Sette, escolheu a linguagem poética para compor uma coleção que remete ao universo de Penélope, a amante que aguarda durante anos o retorno de seu prometido, Ulisses, da Guerra de Tróia. Para adiar a escolha de um novo pretendente, como insiste seu pai, ela resolve bordar uma colcha. Ao terminar, outro deveria ser escolhido, no lugar de Ulisses. Por isso ela tece durante o dia e, à noite, secretamente, a desmancha. O amor, a poesia e a moda no blog de Ananda, modabotoes.blogspot.com
O quinze de abril de 1962 não tem, relativamente nada a ver com dez de setembro de 2010. Apenas uma coisa em comum – a data reúne dois sortilégios – um aniversário da pessoa amada e o nascimento do mais lindo poema da língua portuguesa. Chama-se “O Haver”, foi escrito por Vinícius de Moraes e, não cabe neste espaço. Ouçam, e sintam o que eu digo:
O Haver – Vinícius de Moraes
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada…
Patricia Melo levantou uma bola interessante com a publicação de “Ladrão de Cadáveres”, seu mais recente livro. Existe, de fato, literatura policial no Brasil ? Aquela da tradição inglesa, com indícios, suspense e muito mistério? Ou da escola americana, focada nas pessoas, lugares e na subjetividade?? Se formos pela teoria, não existe literatura policial brasileira. Existe uma literatura urbana, ainda não classificada como tal. Hoje, mais de oitenta por cento da população brasileira vive nas cidades. Mas a tradição rural da literatura brasileira, como exemplo dou Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Machado de Assis, ainda é muito forte. Mas gostei disso – e vamos logo pensar em literatura urbana brasileira. A exemplo de “Ladrão de Cadáveres”, de Patricia Melo. Leiam, vocês vão gostar.
Perguntinha incômoda: vocês permitem que seus filhos façam pesquisas no Google? Eu fiquei intrigado quando minhas filhas vieram com esta demanda da escola, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não é! Cuidado. Todo mundo sabe o que é pesquisar no Google. Aparece de um tudo na lista porque o critério de busca é o número de acessos. Mas a solução é simples: coloquem uma enciclopédia na página padrão do computador que suas crianças acessam. Pesquisa se faz em livros. Mesmo que sejam virtuais. Os grandes portais têm enciclopédias ou seções de busca arquitetadas para os pequenos pesquisarem. Eu fiz e gostei do resultado.
Um dia desses perguntei pro Luis Fernando Veríssimo o que a internet tinha mudado na vida dele. Ele foi categórico: depois que ele começou a usar a rede, nunca mais errou o nome do filósofo Nietzche. A piada é boa, mas revela um traço estranho – as pessoas usam o Google para consultar a grafia correta das palavras. E o pior: cada vez mais, as crianças estão adquirindo este vício. Portanto, amigos, fica a minha dica: instalem um dicionário no computador que as crianças usam e as ensinem a usar. Não é nada engraçado uma criança teclar uma palavra cabeluda no Google, só para saber como se escreve e dar de cara com um ponteiro que aponta para uma página indesejada. Melhor ainda, de verdade, é o velho e pesado livro. Além dos significados, elas aprendem palavras novas.
Eu volto ao assunto das pesquisas na internet porque isso está me incomodando muito. Hoje ao dica vai para os professores e professoras. Ao invés de pedirem aos seus alunos para pesquisar tal assunto na internet, forneçam os ponteiros. Eu sei que dá trabalho, tem que consultar os sites confiáveis, perder tempo. Mas é mais prudente do que deixar que elas entre no Google e, por curiosidade ou descuido, acessem sites indesejados. E não confiem na Wikipédia. Como é um site colaborativo, nem tudo que reluz por ali é ouro. A internet está recheada de ótimos sites. Professores, pesquisem, orientem seus alunos com ponteiros para estes sites. Internet é para maior de idade.




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